segunda-feira, 25 de agosto de 2008

CIRO GOMES E MOISÉS: A SEMELHANÇA ESTÁ NO POVO SOFRIDO E NA ESTRATÉGIA POLÍTICA.


Assim como Moisés foi beneficiado pela situação de escravidão do povo do Egito para que se tornasse o messias da libertação, o atual político Ciro Gomes aproveita-se da escravidão do povo nordestino em relação à seca para defender a faraônica obra de transposição do Rio São Francisco. Não surpreenderá os estudiosos o fato dele ser visto como um messias enviado para por fim à ”indústria da seca”, que durante tantos anos vem massacrando o povo do semi-árido, deixando a população cada vez mais abatida e sofrida pela calamidade e miséria provocada pela seca na região.
A Itália esperou um salvador para por fim à devastação da Lombardia, os Egípcios esperaram “o enviado de Deus” e agora o povo nordestino espera que o Padre Cícero envie alguém que os redima da crueldade da seca.
Sabe-se que Ciro Gomes não possui apenas ações justas e nem mesmo é alguém que possua Deus mais próximo dele do que os outros homens, mas a estratégia política vai colocá-lo neste patamar, viabilizando eleições bastante populares.
Neste caso, a guerra é contra a seca e a arma usada será a construção de uma obra capaz de endeusar seu idealizador, assim como a transamazônica, que moveu multidões e acabou sendo uma obra perdida no meio da selva.
É assim que direito, biologia, hidrologia, antropologia, sociologia e psicologia se entrelaçam em propostas políticas mirabolantes. Afirmativa real quando se pensa em viabilidade do projeto, conforme estudos científicos feitos no local (Fonte: EIA/RIMA: Estudo de Impacto Ambiental e Relatório de Impacto Ambiental – Julho 2004 – Ministério de Integração Nacional – Projeto de Integração do Rio São Francisco com Bacias Hidrográficas do Nordeste Setentrional). Há um discurso inconsciente em relação à natureza e em relação aos impactos ambientais que serão gerados com o decorrer de anos, muitos deles imprevisíveis e capazes de gerar mortes, epidemias, extinção de espécies, especulações imobiliárias, deslocamento de comunidades tradicionais e sua sabedoria tradicional, verdadeiro patrimônio para a Humanidade.
A verdade é que nem mesmo houve tempo suficiente para uma discussão acerca dos impactos ambientais, entendendo-se meio ambiente no sentido mais amplo e holístico da palavra, como a própria Lei da Política Nacional do Meio Ambiente (Lei 6.938/1981) determina.
Está sendo dito que a captação de água do rio transposta para este projeto de Transposição do Rio São Francisco será apenas 3,5% da sua vazão disponível, conforme dados fornecidos no EIA/RIMA, mas a questão é exatamente o apenas, são, em outras palavras os 1.850 m² de água do Rio São Francisco ou 63,5 m³/s que serão transpostos com destinação às bacias do Jaguaribe, Apodi, Piranhas-Açu, Paraíba e Estado do Pernambuco, como se na natureza isso não significasse nada...
Os impactos negativos são vários: introdução de tensões e riscos sociais durante a construção; ruptura de relações sociocomunitárias durante a fase de obra; possibilidade real e concreta de interferência com populações indígenas, desrespeito à Constituição Federal de 1988 (uma Constituição Declaradamente Ambientalista em seu Artigo 225); aumento das emissões de poeiras; aumento e aparecimento de outras doenças, visto que a água é um excelente vetor; perda de terras potencialmente agricultáveis; desapropriações e todos conflitos que decorrem desta; especulação imobiliária nas várzeas potencialmente irrigáveis no entorno dos canais; Risco Real de interferência com o Patrimônio Cultural; Perda e fragmentação de no mínimo 430 hectares de áreas com vegetação nativa, além de hábitats e ecossistemas, com ampla fauna terrestre; Modificação da composição das Comunidades Biológicas Aquáticas Nativas das bacias receptoras; Risco de redução da Biodiversidade das Comunidades Biológicas Aquáticas nas bacias receptoras; Comprometimento do conhecimento da História Biogeográfica dos Grupos Biológicos Aquáticos Nativos; Risco de introdução de espécies invasoras, tais como peixes potencialmente daninhos ao homem nas bacias receptoras; Interferência sobre a pesca nos açudes receptores; Risco de proliferação de vetores; Maior número de ocorrência de acidentes com animais peçonhentos; Aceleração do processo erosivo e de carreamento de sedimentos; Modificação no Regime Fluvial do Rio São Francisco; Eutrofização dos novos reservatórios; entre outros diversos impactos que poderiam ser citados e que encontram-se compilados em uma folha de papel A4 do EIA/RIMA, que mais parece um projeto encomendado, para promover e afirmar correta uma teoria, sem ao menos apresentar outros meios, ignorando a Teoria do Caos e o efeito borboleta, descoberto no começo da década de 60 pelo meteorologista Edward Lorenz:
“Uma Borboleta que, hoje, agita o ar em Pequim pode causar, daqui a um mês, uma tempestade em Nova York”.

As condições propícias garantem uma corrida em favor daqueles seres famintos, que em vez de verem o mar abrir-se, verão as águas do São Francisco serem levadas de um lugar para outro, por uma obra cara e que gerará, na verdade, enormes impactos ambientais.
Roberta Ferreira Roldão
Especialista em Recursos Hídricos e Direito Ambiental
Contato: robertaferreiraroldao@hotmail.com (34)9157-6241 ou

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