segunda-feira, 28 de julho de 2008


A partícula cósmica que navega meu sangue é um mundo infinito de forças siderais.
Veio a mim sob um longo caminho de milênios quando talvez fui areia para os pés do ar.
Logo fui a madeira, raiz desesperada submersa no silêncio de um deserto sem água.
Depois fui caracol, quem sabe onde e os mares me deram a primeira palavra.
Depois a forma humana derramou sobre o mundo a universal bandeira do músculo e da lágrima.
E cresceu a blasfêmia sobre a velha terra o açafrão, o "tilo", a copla e a piegaria.
Então vim à América para nascer um homem e em mim juntei a selva, os pampas e as montanhas.
Se um avô da planície galopou até meu berço outro me disse estórias em sua flauta de cana.
Eu não estudo as coisas, nem pretendo entendê-las; as reconheço, é certo, pois antes vivi nelas.
Converso com as folhas em meio dos montes e me dão sua mensagem as raízes secretas.
E assim vou pelo mundo sem idade e sem destino ao amparo de um cosmos que caminha comigo.
Amo a luz, o rio, o caminho e as estrelas e floresço em violões porque fui a madeira. Atahualpa Yupanqui...Tempo do homem...tradução de Dércio Marques.

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Roberta Roldão

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